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Algo inteligente, sofisticado e pretensioso, como se fizesse alguma ideia do que estou a escrever

by Lino

Acredito nas economias de mercado e no poder que estas têm de nivelar e corrigir as assimetrias que são provocadas pelo excesso de regulação/intervenção de agentes a elas externos. Acredito que os governos são por natureza ineficientes e causadores de graves distorções nas sociedades e que essa ineficiência dos governos, instituições, empresas, pessoas e economias destrói valor, acabando inapelavelmente em crises, falências  ou simplesmente desaparecimento. Este facto provoca o nascimento ou ascensão de outras entidades, num ciclo continuo de aperfeiçoamento. As economias de mercado estão para os governos como a natureza está para o homem. Tal como a natureza, os mercados livres evoluem e tendem para a perfeição, embora por vezes esse facto seja precedido de acontecimentos dramáticos, e  intervenções externas podem provocar desequilíbrios irrecuperáveis. Alain Minc, que nos anos 70, introduziu o termo sociedade de informação, formula de maneira clara: “Capitalism cannot break down, it is the natural state of society. Democracy is not the natural state of society. The market is”

 

Os acontecimentos recentes , a crise global instalada e a incapacidade das economias de se reerguerem sem ajudas “externas” colocam-me , no entanto, duvidas sérias sobre os princípios que enunciei, que defendi e que de alguma forma propaguei. Estas duvidas são amplificadas pela completa ausência de debate publico sobre aquilo que pode muito bem ser ( o exagero é meu) o colapso do capitalismo e do liberalismo. Falar sobre a crise , e todos falam sobre a crise, não é a mesma coisa do que reflectir profundamente sobre a ideologia que a originou. Estou-me borrifando para saber se o inicio foi o “mercado sub-prime” , o que me interessa verdadeiramente saber é se os princípios da economia de mercado ainda são válidos e se isto é apenas um “reset normal” e cíclico , um tropeção que o tempo corrigirá. Preocupado fico quando os ferozes teólogos liberais, que me ensinaram a desprezar o valor dos governos/estados, vêem agora com grande brado solicitar a sua intervenção – a nossa intervenção – não encontrando na sua ideologia qualquer solução para a questão.

 

Por isso retomei as minhas passadas leituras e fui directo a Ignácio Ramonet , Geopolítica do caos (1998), que li nessa altura , achei interessante e claro, com o senão de apresentar uma visão muito negativa do futuro da nossa economia e sociedade que não me apeteceu acreditar. Desta vez li-o, com um espírito mais aberto achei-o brilhante e aconselho os “heptas” a faze-lo o mais rapidamente possível.  Versões inglesas não faltam, para os emigrantes (http://www.algora.com/4/book/details.html) e muitas das conclusões que expõe, 10 anos passados, um pouco como as profecias do Bandarra. Do site assinalado noto : ” “There will be a convulsion in the world economy the likes of which we’ve never seen before,” warned Kenneth Courtis, chief economist and strategist for Deutsche Bank Group in Tokyo, “unless policymakers manage to pull back from the current path of excess industrial capacity, high levels of debt and structurally slow growth.” That is precisely what The Geopolitics of Chaos is about, and the unnerving new cracks in global stability make this book seem prescient and increasingly relevant.” 

Não percam tempo, corram já para a livraria mais próxima e ofereçam-se um presente de Natal.

Lino
Thursday, December 18, 2008