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Olá, Amiguinhos!… e konec

by Isabel

é verdade… morreu o Vasco Granja. penso que já toda a gente deste blog deve ter lido a notícia e ficado triste ou (espero que não) indiferente, mas acho que é bom tentar perpetuar a lembrança duma pessoa que influenciou tanto a nossa vida e a do nosso país. e se é certo que essa influência tem um cariz por vezes invisível, na verdade é difícil negar a sua presença.

não posso dizer que seja a pessoa com mais lembranças do senhor… bem pelo contrário. ainda apanhei uns anos do “Cinema de Animação”, o programa que começou em ‘74 e que o Vasco Granja apresentou durante 16 anos!, mas não foi bem a personagem simpática que apresentava essas animações que mais marcou (infelizmente, talvez… mas a minha memória é uma lacuna atrás da outra). o que ficou na memória, e isso sim, nunca mais saiu, foi o imaginário que ele trouxe de tantos pontos do globo, e principalmente da europa de leste. nunca percebi muito bem o porquê de ter esta “ligação” ou talvez compreensão do tipo de animação soviética. mas quando somos miúdos vemos certas coisas e mesmo não as percebendo completamente, ou de todo, elas passam a fazer parte dos nossos esquemas mentais. acho que ler a palavra “konec” (fim em checo, e outras línguas daquela zona) no jornal despertou um pouco esse imaginário. irónico que seja a palavra fim a despoletar um interesse antigo.

e claro, isto para não falar do resto das animações, que todos tomamos como garantidas na nossa infância, mas num momento em que Portugal não era propriamente o país mais aberto, se não fosse o nosso Vasquinho, não fariam parte da nossa imaginação. e eu provavelmente não tinha tido o meu bonequinho articulado da pantera cor-de-rosa (lembras-te, Margarida?, não sei se era meu ou teu ou nosso). e o “that’s all foks!” seria apenas um grupo de palavras estrangeiras. e a música que o acompanha não provocaria qualquer reacção da nossa parte.

claro que andei a ler umas coisitas sobre a vida do Vasco Granja, e essa influência de que falei parece-me cada vez mais evidente e mais abrangente. foi um dos maiores divulgadores de banda desenhada em Portugal (obrigada também por isso!), entre publicações e presença em vários festivais, foi sem dúvida um dos nossos maiores embaixadores culturais. e a sua contribuição na resistência à ditadura, através do movimento cineclubista (também era apaixonado pelo cinema, claro) ainda lhe valeu uns mesitos largos de prisão, assim como a sua ligação ao partido comunista.

mas para não acabar num tom de tristeza que um desaparecimento desta magnitude provoca, deixo aqui um sketch do herman enciclopédia dedicado ao trabalho do nosso amiguinho (e com a sua presença).

Isabel
Wednesday, May 6, 2009