Thursday, June 10, 2010
A volta no horizonte…
Andamos cada vez mais a pensar onde será a próxima paragem quando sairmos de Berkeley. Para mim, tenho a Europa quase toda como opção, o meu esposo tem os seus horizontes um bocadinho mais limitados! :) Mas até agora as opções são as seguintes, pelo menos as minhas, por ordem de preferência por razões de trabalho:
Basel, Suiça
Heidelberg, Alemanha
Zurique, Suiça
Barcelona, Espanha
Lausanne, Suiça
Köln, Alemanha
Ainda falta analisar com mais atenção as hipóteses em países como a Holanda, Dinamarca e a Noruega.
Uma vez que a comunidade Hepta é tão viajada e conhecedora, venho aqui pedir a vossa opinião e além disso aceitam-se sugestões! Os condicionantes são: bons laboratórios, boas universidades com doutoramentos em som ou computadores, ser um sitío bom para a pirralhinha passar uns aninhos!
Ai, gosto tanto destas alturas em que se olha para o mapa e sonha-se o futuro por outras bandas! Agora com a pequena a responsabilidade aumenta, mas não deixa de ser uma fase boa! Daqui a mais ou menos 9 meses, encontramo-nos pela Europa! Até lá!
P.S: As almas que ainda queiram visitar S. Francisco que se apressem, se ainda quiserem ter alojamento e boa comida!
Friday, May 21, 2010
A ver se este blogue acorda para a vida…
A mim já estragou um bocadinho, com o preço que paguei pelas minhas férias em Portugal no Verão…
Sunday, October 18, 2009
Feldman, de Daniel Clowes
andava eu a arrumar as minhas revistas de banda desenhada (que infelizmente ainda são poucas) e comecei a reler algumas das histórias, principalmente da série Eightball, do Daniel Clowes (que é um dos meus autores preferidos). é uma actividade completamente viciante (para mim, pelo menos)… e para quem gosta, fica aqui um gostinho do que andei a fazer agora de tarde.

Wednesday, October 14, 2009
Music Of Changes
olá gentes!
reparei que ultimamente só temos feito posts relacionados com política, sociedade, estados unidos, e outros temas do género. por isso vou desviar um pouco o blog para outra área.
tenho prestado especial atenção a um compositor experimental americano. provavelmente alguns já ouviram falar dele, John Cage. não era só um músico, era um verdadeiro artista em muitas vertentes. mas para este post vou focar-me só no que ele era realmente um mestre, na música. e mesmo nessa área há tanto a dizer (e saber) que vou cingir-me a pequenos fragmentos que conheço duma vida muito completa.
acho especialmente interessante a miríade de inovações que John Cage trouxe ao mundo da música e que têm vindo a influenciar muitos outros artistas (músicos e não só), tal como a invenção do piano preparado e a forma como introduziu o elemento do acaso e indeterminância na sua música (por exemplo, usou bastante o livro I Ching para compor… e o resultado é extremamente bonito). perceber John Cage (ou tentar), pressupõe uma abertura e reeducação de como percepcionamos música. para tal temos que nos questionar, e nada melhor para fazer isso como ouvir uma música dele, que, se prestarmos atenção e ouvirmos, traduz toda a sua filosofia: 4′33”, é vista por uns como arte e como uma das composições mais interessantes já criadas e por (muitos) outros como uma estupidez que apenas idiotas considerariam artística. e por isso mesmo deixo aqui um vídeo dessa música tocada pelo David Tudor (o pianista que a tocou pela primeira vez)… dizer mais estraga a surpresa para quem nunca ouviu falar. arte ou não-arte: eis a questão.
claro que para se perceber melhor este senhor, é essencial conhecer o contexto em que a obra dele se insere. não vou alongar-me muito, só quero referir uma das características que mais me atrai na sua música (talvez porque se refira a algo que sempre me suscitou bastante interesse), que é o facto de uma das influências mais importantes no trabalho de John Cage ser a da filosofia do budismo zen, que ele estudava. isso nota-se claramente na forma de ver o mundo do som, de fazer arte e no seu próprio discurso.
e agora para acabar… porque o senhor tinha um sorriso mesmo simpático e contagiante:
ficam aqui também algumas músicas para quem apreciar…
John Cage - The Unavailable Memory of [2:22m]: Play Now | Play in Popup | Download
John Cage - Sonata I [3:17m]: Play Now | Play in Popup | Download
John Cage - Sonata II [1:59m]: Play Now | Play in Popup | Download
John Cage - Sonata III [2:22m]: Play Now | Play in Popup | Download
John Cage - Sonata IV [2:03m]: Play Now | Play in Popup | DownloadMonday, September 28, 2009
Valencia Street - SF
Bem, vim até aqui ao Hepta para ver se o nosso pessoal que ainda reside no nosso Portugal tinha feito algum post sobre as pós-eleições no nosso país… mas não há cá nada. Fico à espera que um dia destes apareça um post analítico da nossa situação política! É que como emigrante que sou, sinto falta das novas da minha terra! (sim, que pelas notícias não se vai longe, uma pessoa lê com cada coisa nas gordas dos jornais!) Enquanto espero (bem sentadinha), decidi fazer um post sobre uma coisa completamente diferente! A Valencia Street aqui em S. Francisco. Mais uma vez, este fim de semana fomos passear até esta rua. Ao início, pode ser confundida com mais uma rua comercial com lojas alternativas, como tantas outras em S. Francisco. Mas com um olhar mais atento notamos que as lojas não são só lojas… e é este pequeno detalhe que me deixa completamente rendida a esta rua! Basicamente, a rua nasceu em continuidade com um bairro mais ou menos probemático, a Mission. O que à partida não parece que sejam as condições ideiais para que lojas alternativas sobrevivam. Mas como vos disse, muitas das lojas não são só lojas, são centros de actividades várias que funcionam e estão voltados para ajudar a comunidade onde esta rua se insere. É claro que este aglomerado de lojas alternativas chama também uma elite de SF com mais dinheiro, que sustenta as lojas e que assim permite que estes centros de actividade sejam mantidos. Aos meus olhos este ciclo parece-me fantástico!
Um dos exemplos mais representativos da Valencia St, é a loja dos Piratas: 826 Valencia!
Vocês podem ver uma Ted Talk sobre a ideologia que está por trás dos nascimento desta loja, que vale bem a pena. Resumidamente, a 826 Valencia é um centro de explicações gratuito para os miúdos da comunidade, que são maioritariamente de origem latina e normalmente têm graves problemas na escola com o Inglês. Neste centro trabalham escritores da Mcsweeney’s e outros voluntários, que à hora que as escolas acabam, param o seu trabalho e deixam o seu espaço ser invadido por miúdos e dedicam o seu tempo a ajudá-los a fazer os trabalhos de casa. Como a loja precisava de ser uma loja, eles decidiram fazer então uma loja com todas as coisas necessárias para… Piratas!
Além desta loja, descobri este fim de semana a Natural Resources.
É claro que na minha condição de momento haveria de lá ir dar!! A loja vende coisas para bebés e grávidas, tentando ao máximo ter em atenção a relação mais próxima dos pais com os pirralhinhos e o ambiente! Então aqui, encontra-se tudo desde uma variedade de fraldas mais ecológicas (que não são descartáveis), roupinhas de algodão, “slings“, “wraps” e aquelas mochilinhas para transportar os bebés (desculpem lá os estrangeirismos mas não sei traduzir estas coisas para tuga), etc etc. Muitas das coisas não são propriamente baratas, mas a loja, além de vender estas coisas foca-se também em aulas variadas para grávidas que vivem naquela comunidade. Algumas aulas são grátis e outras pagam-se, mas penso que mesmo assim, a ideia é que pagam menos do que as aulas que se têm nos hospitais (sim, que aqui os hospitais são os mestres a cobrar!!!).
Além destes dois exemplos, existem outros, como lojas que vendem arte, mas que nos bastidores estão a abertos para miúdos irem fazer olaria, pintar, etc. E também há lojas que são só lojas, como a livraria Borderland, que é o encanto do Pedro porque só vende ficção científica, ou lojas que são muito bonitas, mesmo que às vezes seja dificil de encontrar lá algo útil (tirando plantas e brinquedos educativos para miúdos), como a Paxton Gate.
E pronto, já palrei tudo o que queria! Mas queria mesmo partilhar isto convosco, porque acho estas iniciativas fabulosas, e consigo imaginar muitos sítios no nosso PT à beira-mar plantado onde iniciativas destas funicionariam na perfeicção… Enquanto por aqui nos States, estou a seguir o conselho da Isabel, e a aproveitar aquilo que há de bom e acumular ideias, quem sabe para mais tarde recordar e, se possível, fazer alguma coisa!
Wednesday, September 16, 2009
Mais uma vez… Os states…
Nestes dias, não se tem falado em outra coisa, senão no plano de saúde do Obama. Às vezes nem consigo entender o que é que há tanto a discutir e a perceber. Definitivamente, isto é um país de gente muito estranha… As coisas que se ouvem conseguem ser assustadoras, o medo das políticas sociais (o monstro papão: os socialistas!), o terror de ter o governo a regular as seguradoras, etc etc, tudo se ouve… No entanto, há que ter alguma fé que a coisa vá mudar, mesmo que já não seja de forma tão radical com eu em tempos pensei que seria (e o que de facto era o que este país precisava), mas pelo menos que se inverta o caminho…
Nesta linha de pensamento, hoje de manhã, a ler o jornal no café, eu e o Pedro apanhámos esta BD no San Francisco Bay Guardian. Divirtam-se!
Para mais Tom Tomorrow podem ir a este site.
Friday, August 28, 2009
Business as Usual
Como sabem, estou (desesperadamente) a tentar concluir um bacharelato em Ciência de Computadores. Sim, é um nome estúpido; Computação, Ciência Computational, etc., seriam nomes mais adequados — de facto, “Como Treinar Tarefeiros: Escrever POGRAMAS Sem Faculdades Críticas (CTT: EPSFC) ” é que é mesmo qualificativo. Adiante.
ENGR 356
À cerca de dois anos inscrevi-me numa cadeira de circuitos lógicos, arquitectura de computadores, etc., ensinada por este excelentíssimo senhor, tendo como texto requerido algo muito verboso mas aparentemente nunca apropriadamente revisto, dado esta magnífica obra estar de momento na quarta edição (revista) pela módica quantia de $116, embora tenha uma audiência alvo de aproximadamente três pessoas (os dois autores e o Prof. Hu).
Sendo Português, senti-me naturalmente reticente em não usar as minhas perícias étnicas em enrolar o sistema. Comprei a terceira edição por $20.
Para vocês que estudaram em Portugal, o Dr. Hu é um homem com O grande, daqueles que expôem — não, deixam escorrer, suam! — matéria, optando por ensinar por osmose. Na primeira aula, ficou claro que o Prof. iria, para T.P.C., meramente escrever no quadro uma série de rabiscos que significariam referências para problemas no livro. “Ch.1 — 1.1 1.2 1.4 1.5 1.6 1.7 1.9 1.24 1.26 1.27″. Ficou também claro que não completar a totalidade dos exercícios, durante o semestre, seria a estratégia correcta para atingir a marca mágica de D, ou mesmo F, estilo Napoleão na Rússia.
No fim da aula, abordei o Prof.:
“Professor, reparei que os exercícios marcados no quadro não correspondem aos exercícios que tenho no meu livro, terceira edição.”
“Pois, a quarta edição é a requerida para esta aula.”
“OK, mas tendo eu a terceira, não faz sentido, concerteza, comprar a quarta?”
“Sim, de facto, não existem diferenças substanciais.”
“Óptimo! Seria então possível pôr os enunciados dos problemas no iLearn [o sistema educacional online na SFSU -- mais adiante], ou distribuir cópias, ou enunciar os problemas em si no quadro?”
“Lamento, mas isso não é possível, dado que constituiria uma violoção dos direitos de autor associados ao livro.”
“…”
[Muita discussão infrutífera]
Desisti dessa aula duas semanas depois. Está por fazer, por sinal. Pode ser que o Dr. Hu seja preso, entretanto, envolvido num escândalo internacional de pirataria de livros técnicos de valor superior a $100 mas audiência inferior a 10.
26 de Agosto de 2009
CSC 520. 12:00
Devido aos problemas orçamentais na California (e uma borboleta que bateu as asas uma vez a mais nos mares do sul, à muitos anos), a minha aula de Teoria da Computação tem lugar num barracão pré-fabricado, nas traseiras do edifício que aloja o departamento de computadores. O Dr. Larry Wall introduz um tópico muito interessante, de forma clara, relaxada e entusiasmante. Onde está o Wally? O texto requerido para esta aula, Automata, Computability and Complexity: Theory and Applications, custa $100, e foi escrito por uma ex-colega do Dr. Wall, a Dr. Elaine Rich, quando ambos ensinavam na Universidade do Texas. De facto, o Larry diz que grande parte dos seus apontamentos dessa altura foram incorporados no livro.
PHYS 220. 2 horas antes
Estou sentado num auditório com 150 putos. O professor Joseph Barranco entra na sala. Compleição latina, estilo ‘hood 2009, com uma corrente gigantesca ao pescoço e um boné estratégicamente posicionado a 45 graus no azimute e 30 graus na elevação, o Joe tem um ar, digamos…inteligente.
Nascido e criado num bairro pobre em Boston, o Joe cresceu com violência e gangs, mas deu um fino rapaz, que nem história de Hollywood. Fez o BSc em Física em Harvard, o Ph.D em Berkeley, e é professor assistente na SFSU desde 2007. Tem ~30 anos.
Texto requerido? Physics: The Nature of Things, Volume 1. Preço? $150. Autor? Dr.a Susan Lea, presidente do departamento de física. Instado a comentar, o Joe recusou-se, citando razões políticas.
Plataforma educacional online para submeter trabalhos, fazer testes, etc.? WebAssign um sistema comercial desnecessário dada a existência do iLearn (uma implementação na SFSU do Moodle, um sistema de gestão de conteúdos educacionais com uma qualidade indiscutível). Preço: $15. Requerimentos de sistema: NÃO CORRE EM LINUX.
MATH 227. 1 hora depois
O Prof. David Ellis (esta gema) entra na sala, imediatamente anuncia que, na livraria da escola, se encontra uma barraquinha da Pearson Higher Education, prontinhos a responder a quaisquer perguntas que tenhamos, reiterando ainda que enviou um email para toda a gente a dizer a mesma coisa, basicamente. Rapidamente começam as perguntas: o texto requerido (da Pearson Education), chama-se University Calculus with Early Transcendentals, de Hass e Weir, e custa $80.
Os exercícios para esta aula, bem como testes, etc., serão administrados online, através do portal da Pearson para estas coisas. Desta forma, os instructores poupam trabalho. Sim, porque como sabem, os matemáticos queimam cedo, e por altura da idade do David, já nem acertam no urinol (as mulheres têm maiores probabilidades). Preço: $70. Tudo junto, e eles são porreiros e fazem um disconto: $120. Já agora, requerimentos: NÃO CORRE EM LINUX.
Toda a gente tinha muitas perguntas: o accesso a este site está ligado à compra do livro. Muitos compraram o livro no semestre passado, mas os seus códigos já não funcionam. O prof. direciona tais perguntas para a barraquinha da Pearson. O Pedro, estilo Barney Frank foi “true to its heritage”, e tentou passar por baixo da malha:
“Professor, aparentemente comprei, por engano, o Calculus with Early Trascendentals do Stewart, em vez do University Calculus with Early Transcendentals, de Hass e Weir. Acha que posso usar um vez do outro?”
“Essas perguntas devem ser dirigidas à barraquinha da Pearson Ed.”
“Hmm. E quanto ao accesso ao sistem de avaliação online, não acha um pouco caro, $70?”
“Como disse, na barraquinha. A Pearson Education é que lida com estas questões.”
“Desculpe, estou confuso. Mas esta cadeira é patrocinada, gerida, controlada pela Pearson?”
“Eu não tenho nada a ver com a política do departamento e as parcerias executadas. Por favor leva as tuas questões à secretaria, ou à barraquinha.”
“Professor. Eu não me inscrevi para fazer uma cadeira na Pearson Education. Inscrevi-ne na SFSU.”
[Professor explode. Desisto. Compro o livro.]
Portanto, para terminar, e como já mencionei o Barney Frank, faço minhas as suas palavras.

